As superfrutas brasileiras descobertas na Mata Atlântica

No mundo da alimentação saudável, as frutas são vistas como indispensáveis. Nesse sentido, a Mata Atlântica, apesar de sofrer com o desmatamento, ainda é vista como um fonte de frutas raras e superpoderosas, no que diz respeito a saúde humana.

Segundo o site BBC Brasil, a partir de uma pesquisa realizada pela em parceria pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade de São Paulo (USP), cinco espécies nativas da Mata Atlântica brasileira são ricas em antioxidantes e têm alta eficiência anti-inflamatória no organismo.

Dessa forma, algumas dessas superfrutas são vista com poder nutritivo semelhante a outras que já fazem parte do cardápio das pessoas, a exemplo do açaí, morango, mirtilo, amora e framboesa.

As superfrutas da Mata Atlântica

As frutas que foram classificadas com relevante poder nutritivo são: araçá-piranga (E. leitonii), cereja-do-rio-grande (E. involucrata), grumixama (E. brasiliensis), ubajaí (E. myrcianthes) e bacupari-mirim (Garcinia brasiliensis).

Algumas das frutas usados no estudo estão ameaçadas de extinção (Foto: depositphotos)

Dependendo do local, essas frutas não são facilmente encontradas, por isso, para que a pesquisa fosse realizada, os pesquisadores tiveram de recorrer a alguns colecionadores. Isso porque, algumas dessas frutas estão ameaçadas de extinção.

O “frutólogo” Helton Josué Muniz, que cultiva quase 1,4 mil espécies de frutas raras e exóticas em sua fazenda em Campina do Monte Alegre, à oeste da capital paulista, participou da pesquisa ativamente. Ele cedeu amostras das espécies para os estudos.

A pesquisa das superfrutas

Uma das razões para que fosse dada toda essa atenção ao estudo que identificou os exemplares das superfrutas foi o poder nutritivo apresentado por elas. Uma análise das folhas, das sementes e dos frutos destas cinco espécies mostrou que elas podem ser consideradas “alimentos funcionais”.

Isso se deve ao fato de ter sido identificado altos índices de substâncias antioxidantes. Somado a isso, também foram encontrados elementos com ação anti-inflamatória no organismo, como explicou o pesquisador da Faculdade de Odontologia da Unicamp em Piracicaba, Pedro Rosalen.

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O poder das superfrutas no organismo

Para que fique mais claro, basta prestar atenção no poder de certos antioxidantes para a prevenção de doenças como artrite e câncer, por exemplo, e para o bom funcionamento do corpo.

Os antioxidantes são identificados como vitaminas, sais minerais e pigmentos, que combatem os efeitos danosos provocados pelos radicais livres. Esses efeitos podem ser apontados como o aparecimento de rugas e a flacidez da pele.

Geralmente os antioxidantes agem diretamente nas células, fazendo com que ela envelheça e venha a morrer. A oxidação é um efeito natural do corpo, justamente pelas condições que o corpo são submetidas.A respiração, a prática de atividade física, exposição a poluição, estresse, consumo de álcool, cigarro, exposição a pesticidas, radiações e conservantes de alimentos são os principais pontos que fazem com que haja o efeito antioxidante.

Já em relação ao efeito anti-inflamatório, que também aparece com relevância nas superfrutas estudadas na Mata Atlântica, ele atua diretamente no fortalecimento do sistema imunológico.

Dessa forma, alimentos classificados nessa categoria auxiliar no combate de infecções, lesões e inflamações crônicas. Isso acaba ajudando o corpo a ficar livre de muitos problemas que vão aparecendo com um tempo.

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O poder da descoberta

De acordo com o pesquisador, Pedro Rosalen, da Faculdade de Odontologia da Unicamp em Piracicaba, em entrevista ao site de notícias BBC, o objetivo da pesquisa foi encontrar frutas nativas e altamente nutritivas.

“Nosso alvo eram as propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias por que esta é uma grande necessidade da indústria farmacêutica. No futuro, queremos isolar e identificar as moléculas ativas que fazem parte dessas frutas, que podem se tornar medicamentos importantes”, declarou Rosalen.

O pesquisador também explica que a ação dos antioxidantes acontece de forma natural no corpo, porém, ela não é feita de forma organizada, já que existe a possibilidade de acontecer uma “migração exagerada”, o que faz aumentar o processo inflamatório, “produzindo mais destruição”, explica Roselen.

Com a utilização das propriedades das superfrutas da Mata Atlântica, essa migração acontece de forma controlada. “Não é que o corpo se defende menos, mas se defende na medida certa”, completa.

Ainda segundo os pesquisadores, na entrevista dada a BBC Brasil, a ação das frutas – se consumidas frequentemente – pode retardar os processos inflamatórios que causam doenças como diabetes, arteriosclerose e mal de Alzheimer, por exemplo.

O que vai acontecer a partir de agora?

A partir da descoberta, o que muitas pessoas se questionam é sobre o tempo que tudo o que foi descoberto vai levar para estar acessível as famílias e, sobretudo, a saúde das pessoas.

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Porém, como algumas dessas espécies são raras e outras até estão entrando na lista de extinção, a solução encontrada pelos pesquisadores foi usar da parceria com colecionadores para expandir o número de exemplares das superfrutas.

“Poucas das frutas que consumimos hoje são nativas do Brasil: abacaxi, maracujá, caju e goiaba. E a Mata Atlântica já está no limiar do seu equilíbrio ecológico. É urgente estudarmos as frutas deste e de outros biomas”, informa Severino Matias de Alencar, do Departamento de Agroindústria, Alimentos e Nutrição da Escola Superior de Agricultura (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP).

Com isso, a solução encontrada foi expandir o cultivo das cinco frutas entre pequenos agricultores, focando no melhoramento genético.


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